2011.02.09 23h02

A propósito do meu novo registo, Duas peças para orquestra, a ser lançado na próxima terça-feira, dia 15, pela Passageiros da maré:

A composição é – e sobre isto tenho uma quase certeza – um dos trabalhos mais ingratos no mundo das artes. Ingrato porque, a não ser que tenha a boa estrela de ver a sua carteira de encomendas algo preenchida, um compositor trabalha, unicamente, no plano das ideias. E ainda que para inverter este panorama, muitos sejam os que buscam alternativas, ora escrevendo para pequenos agrupamentos que se encontrem receptivos e disponíveis, ora entrando pela música electrónica adentro, o desejo de escrever, independentemente das condições que se possam ter, é algo que sempre se sente pairar sobre nós – às vezes, enquanto uma possibilidade adiada; outras, enquanto uma carência susceptível de colocar em risco o desenvolvimento da nossa escrita.
Assim, e ainda que no horizonte não houvesse nenhum agrupamento interessado em tocar estas e outras peças, comecei, em 2005, a escrever somente pelo prazer da escrita. Desta mudança no meu modus operandi resultaram, no ano seguinte, algumas partes de Rima e, mais recentemente, as peças Formal methods, Rondas e Um rio não corre indiferente. Mas estas foram, apenas, as partes visíveis dessa minha nova orientação – e, de certa forma, também as mais fáceis de gravar. O que agora vos mostro neste lançamento faz parte do outro lado, o mais exigente, aquele que estava na gaveta à espera de quem lhe pegasse. São peças que fiz no plano das ideias sem, na verdade, esperar que este dia chegasse.

2010.11.30 00h27

É hoje lançada a minha mais recente peça, Um rio não corre indiferente, inspirada no conto A terceira margem do rio, do escritor brasileiro João Guimarães Rosa.
Agradecimentos especiais a: Rui Bentes, Ricardo Pacheco, Andrea Ricci, Iara Zeferino e Martinelli Trio.

2010.11.14 14h26

Ricardo Pacheco, meu bom amigo e pintor extraordinaire, irá ver inaugurada uma exposição sua, amanhã, pelas 19h00, no espaço Grandella da Biblioteca-Museu República e Resistência (Estrada de Benfica, n.º 419 – Lisboa). Apareçam, e quererão repetir no dia seguinte.

2010.09.05 19h20

Acabei agora mesmo de fazer a montagem das gravações soltas que existem de Smile, o disco que os Beach Boys abandonaram em 1967. Ainda que os trabalhos estivessem numa fase já avançada, muitas canções apenas existem na forma de pequenos apontamentos. Porém, de forma a não perder o fio condutor que une a obra em geral, e cada uma das três suites em particular, optei por não prescindir destes, o que me afastou ainda mais da qualidade de um produto final. Mas fica o testemunho do que poderia ter sido.

2010.02.06 15h11

1. A segunda sessão fotográfica com a Vera Marmelo já lá vai (Encarecidos agradecimentos a: Paulo Freitas, Sofia Matos, Luís Mota, Auditório Municipal Augusto Cabrita e Câmara Municipal do Barreiro);
2. Durante a primeira masterização do disco, eu e o Luís Seixas corremos alguns riscos de forma a engrandecer o som geral deste. Infelizmente o resultado final acabou por não agradar porque, apesar de termos sido bem sucedidos no que concerne a esse nosso objectivo geral, detectámos algumas anomalias como o desaparecimento de algumas frequências. O trabalho terá, por essa razão, de ser repetido;
3. O encarte do disco está em vias de ganhar forma. Foi ultrapassado um problema com a imagem do Ricardo Pacheco que irá capear o disco e agora só falta descobrir como iremos espremer o texto de três páginas A4 que o T.C.C. escreveu especialmente para esta edição.

2009.12.28 17h39

O projecto Rondas irá entrar na sua segunda fase em Janeiro próximo. Fica o mapa de gestão do projecto.

2009.12.15 17h35

Perante uma situação de fracasso, coisa que acontece muitas vezes em maior ou menor grau no meu trabalho, apenas reajo de duas formas: ou a assumo e vivo com isso, cedendo-lhe face ao reconhecimento da minha inabilidade, ou regresso ao problema e tento eliminar ou atenuar aquilo que ficou menos polido. Assim, ainda o Rima não tinha arrefecido nas prateleiras já eu estava a pensar nos aspectos que careciam de melhorias e, sobretudo, nas oportunidades que havia perdido por recear ficar parado num ponto que me levasse, até, a desistir do projecto. Posto isto, quando, no ano seguinte, iniciei os trabalhos do próximo registo, impus-me uma condição: tentar fazer algo que não soubesse à partida ser capaz de levar a cabo, sendo que a esta pretensão se juntou o honroso convite do Andrea Ricci para que compusesse duas peças num muito curto espaço de tempo, facto que me lançou num moderado estado de pânico que depois ultrapassei pela análise fria da situação: nenhum dos meus trabalhos havia surgido por intermédio de uma qualquer inspiração misteriosa; eram, sim, a experimentação e a interpretação dos resultados por aquela gerados que davam origem às peças. Dessa forma foi-me possível escrever rapidamente a peça Formal methods e uma primeira versão de Rondas. No entanto, porque desejava que esta última desse origem ao meu próximo álbum, queria, também, que ela fosse alvo da minha ambição; queria, através da sua escrita, colocar-me à prova, e apesar de ter compreendido que todas as minhas peças anteriores se tinham feito a partir da experimentação e da interpretação dos resultados por aquela gerados, a verdade é que não me tinha afastado do meu antigo modus operandi sob risco de não entregar a encomenda a tempo. Foi por isso que, uma vez regressado de Roma, onde, além de ter entregado os trabalhos encomendados, pude experimentar algumas ideias que ainda estavam num estado embrionário, meti mãos à obra iniciando a escrita e produção de uma peça que, a correr bem, me colocaria nessa situação desconfortável. A segunda versão de Rondas permitiu-me, pois, lançar a sério nessa pretensão, tão a sério que, no início de 2008, acabou por acontecer aquilo que eu mais havia temido aquando da escrita e produção de Rima: a peça tinha entrado num impasse e foi posta de parte à espera de melhores dias.
Só passado algum tempo voltei a ela para acabar o primeiro dos dois blocos sonoros que a compõem e escrever um pequeno estudo para o segundo bloco que, devido a ter passado os meses seguintes a redefinir o projecto de forma a afastar-me de um novo grau de conforto que entretanto já tinha adquirido, acabou por não ser utilizado. O segundo bloco demorou, assim, mais algum tempo a despontar, mas a sua escrita e produção foram relativamente rápidas. A peça havia-se moldado.

2009.08.10 21h50

As fotos promocionais de Rondas estarão a cargo da Vera Marmelo. A ela o meu obrigado.

2009.06.18 10h15

O Ricardo Pacheco é um dos tipos mais talentosos que conheço. Entrei em contacto com o seu trabalho aquando da edição de Redra Ändra Endre De Fase, e logo disse para mim mesmo que gostaria de trabalhar com ele num futuro próximo. Acabou por acontecer no meu álbum seguinte, Rima, e irá acontecer de novo em Rondas, álbum cuja capa foi escolhida durante um processo que demorou algumas horas devido à imensa qualidade do seu trabalho.

2009.06.04 09h50

Da edição de Rondas:
1. O álbum irá sair em 2010 pela Passageiros da maré;
2. A masterização será feita por Luís Seixas;
3. O grafismo estará a cargo da equipa Pedro Leitão (Design) e Ricardo Pacheco (Pintura);
4. As notas do livreto serão da autoria de T.C.C.

2009.06.03 10h39

Rondas está agora numa fase final. Todas as alterações que anunciei na última entrada não produziram qualquer efeito. A composição de uma peça musical passa muitas vezes por tentar sobrepor a nossa vontade à do material que estamos a criar – e nem sempre saímos vencedores.

A estrutura final da peça é a seguinte:

1. As horas inquietas: I, II, III; Scherzo [22.14]
2. As horas inquietas: I, II, III; Scherzo; IV [21.54]

2009.06.01 11h23

Rondas: Nova mudança estrutural. Quando já pensava que o início do disco estava definido, eis que me deparei com uma solução para um problema que até aí me era desconhecido. Era uma questão de timbres, de sons de marimbas posteriormente trabalhados com a ajuda de ferramentas electrónicas: descobri que os havia isolados no segundo grande bloco sonoro, coisa que aconteceu quando comecei a trabalhar com timbres semelhantes, tendo como finalidade a sua inclusão nesse grande bloco.
Não concretizada esta tentativa por manifesta incompatibilidade estética, logo se me auto-propuseram essas células para que eu delas fizesse um novo início, um início para toda a peça ao invés do anterior que, já antes desta ocorrência, se me afigurava tão-somente um início para o primeiro grande bloco sonoro.
Esta é, então, a nova estrutura da peça que, também por causa desta mudança, irá doravante intitular-se Rondas:

Parte primeira:
1. I [-.-]
2. II, III, IV; Scherzo [22.14]

Parte segunda:
3. I, II, III; Scherzo [15.10]
4. IV [-.-]

2009.05.27 17h33

Ronda: Os resultados vão progressivamente sugerindo mudanças. Algumas vão além do mero detalhe, mexem na estrutura, desencadeiam outras mudanças mais radicais.

2009.05.20 15h55

O single Formal methods # 1 já está disponível para venda no formato vinil 7’’.

2009.05.18 10h15

Está prevista para breve a edição de Formal methods, um EP composto por uma peça em três partes para coro. A gravação foi efectuada ao vivo em Roma, aquando de um workshop que fiz com o maestro Andrea Ricci.

2009.05.18 09h56

Ronda: Os dois blocos de som fazem-se agora de cinquenta e uma pistas, facto que deita por terra a capacidade de processamento do computador que utilizo. Para resolver este problema terei de fundir pistas que julgo finais até chegar a um número que me permita continuar a trabalhar.

2009.05.16 15h43

E porque a criatividade nos aponta vários caminhos que não devemos depreciar, quanto já Ronda se aproxima do fim, outros projectos começam a surgir ou a concretizar-se. De entre estes destaco uma colecção de miniaturas ao estilo de Children’s songs, de Chick Corea; uma peça feita exclusivamente de material gerado em computador que, de momento, parece ainda não ter rumo certo mas que, na pior das hipóteses, poderá vir a ser um bom laboratório; e uma peça para teclado que tento escrever num registo de tal forma livre, que a sua execução poderá assemelhar-se a uma divagação ad libitum do executante.

2009.05.14 21h02

A peça Ronda está, ao nível da estrutura, praticamente concluída. Resta-me agora fazer pequenas decisões como a ordenação de espaços de som e a quantidade de faixas que, de momento, se situa nas duas mas que poderá evoluir para três. Esta mudança dependerá sobretudo da próxima fase de trabalhos na qual irei acertar detalhes como sons incidentais, que surgem num dado momento apenas para dar um colorido diferente àqueles dois ou três segundos antes despidos, volumes e panorâmicas.

2009.05.12 20h37

O disco novo chamar-se-á, como previsto, Ronda, e será preenchido exclusivamente com uma peça.

2009.05.11 18h33

Este espaço foi concebido, ainda que não exclusivamente, com o intuito de dar a conhecer os bastidores da feitura de um disco, mais concretamente daquele que se colocará cronologicamente como sendo o meu terceiro registo, seguindo-se assim a Redra Ändra Endre De Fase (Thisco, 2004) e Rima (Samuel Jerónimo/Thisco, 2006).